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Quarta 08 de setembro de 2010
 
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CPI corre atrás de 100 mi que sumiram
 
 

O presidente da Assembleia de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB), assinou nesta terça-feira documento que autoriza a abertura da CPI para investigar o suposto esquema de desvio de verba da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) para campanhas do PT.

A autorização será publicada no "Diário Oficial" de São Paulo desta quarta-feira. Os partidos têm 15 dias para escolher os integrantes. A maioria dos deputados estaduais apoia o governo de José Serra (PSDB).

O pedido de CPI foi apresentado em outubro de 2008 pelo líder do PSDB na época, o deputado Samuel Moreira, com a assinatura de 35 parlamentares - duas a mais do que o mínimo necessário para solicitar a investigação.

Segundo estimativa do promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, o desvio de dinheiro da Bancoop pode ter chegado a R$ 100 milhões. De acordo o promotor, os valores já eram conhecidos desde 2008, ainda na fase do inquérito instalado para investigar o suposto desvio que prejudicou 3.000 famílias de cooperados.

Na sexta-feira, o promotor pediu ao Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária), do Tribunal de Justiça de São Paulo, a quebra de sigilo bancário e fiscal do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, por suposto envolvimento no esquema de desvio. Blat também pediu o bloqueio das contas da cooperativa.

Ontem, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), desafiou o promotor a provar que Vaccari Neto sacou recursos em dinheiro no suposto esquema de desvio de verba da Bancoop. Ele disse que, se o promotor comprovar que houve saques em dinheiro, o petista renuncia ao seu mandato na Câmara.

Já o deputado José Aníbal (PSDB-SP) criticou a reação de líderes do PT. O tucano comparou o comportamento do deputado Fernando Ferro (PT-SP), líder do PT na Câmara, com o do deputado Paulo Maluf (PP-SP) sobre as investigações dos promotores.

De acordo com reportagem da revista "Veja" desta semana, o promotor analisou mais de 8.000 páginas de documentos do processo que envolve o desvio de recursos e concluiu que a direção da Bancoop movimentou R$ 31 milhões em cheques para a própria cooperativa. Esse tipo de movimentação é uma forma de não revelar o destino do dinheiro.

Segundo a investigação, dirigentes da cooperativa teriam criado empresas fantasmas que prestavam serviços superfaturados e faziam doações não contabilizadas ao PT. Para Blat, há indícios de caixa dois, uma vez que os recursos repassados ao partido não constam dos registrados da Justiça Eleitoral.

Nenhum representante da Bancoop foi localizado para comentar a estimativa de prejuízo feita pelo Ministério Público. Em nota divulgada no fim de semana em seu site, a Cooperativa negou a existência de um esquema de desvio de verba, conforme apontou reportagem da revista "Veja".

"A matéria é extremamente fantasiosa quanto aos fatos, como demonstra a informação de que teriam sido emitidos, para saque em dinheiro, cheques nominais à própria Bancoop em valor total superior a R$ 31 milhões", diz a nota da cooperativa.

 
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