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Quarta 08 de setembro de 2010
 
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Coleta seletiva não convence população
 
 

Todos os dias, o movimento de caminhões é intenso na Cooperativa 100 Dimensão, no Riacho Fundo. As caçambas chegam ao local carregadas de lixo seco de vários pontos do Distrito Federal. Poucas horas depois, voltam vazias às ruas para mais um carregamento. Catadores independentes recolhem materiais recicláveis em órgãos públicos, empresas, escolas e residências. Só essa cooperativa recebe, por mês, quase 100 toneladas de resíduos secos — sendo 60% de papéis.

Em um grande galpão vazado, 30 pessoas se revezam em três turnos na separação dos produtos por categoria. Os materiais são prensados e vendidos às empresas de reciclagem. Nas mãos certas, o que havia sido dispensado como lixo transforma-se em obra de arte e renda para dezenas de famílias.

A 100 Dimensão é uma das 30 cooperativas atuantes no DF. Em parceria com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), os catadores auxiliam na implementação do sistema de coleta seletiva. Idealizada pelo governo ao longo dos últimos anos, a separação do lixo seco do orgânico ainda é precária na região. Segundo a diretora-geral do SLU, Fátima Có, apenas 3% das residências — do Plano Piloto e Sudoeste — contam com a coleta seletiva.

E cerca de 8% das 180 toneladas produzidas pelos candangos a cada mês são separados e tratados. O resto é abandonado nos aterros sanitários. Quem mora fora do eixo de atuação do governo pode separar o lixo por conta própria e, então, ligar para cooperativas e empresas de reciclagem. O material, no entanto, passará pela separação quando chegar ao lixão.

Para a diretora-presidente da 100 Dimensão, Sônia Maria da Silva, a coleta seletiva só será uma realidade em todo o DF quando a população tiver consciência do lixo produzido diariamente e os órgãos responsáveis pela limpeza urbana ganharem autonomia para agir. “Sentimos a necessidade de acelerar esse processo da coleta. Todo mundo sairá ganhando”, defendeu. Ela acredita que, para efetivar a mudança, deve haver cooperação da população, do governo e das empresas.

“A produção de lixo cresceu muito e a população ainda não tem consciência da quantidade que chega até nós. Não conseguimos controlar tanto resíduo ao fim do processo”. “A coleta seletiva é boa para quem desenvolve isso dentro de casa e para os catadores, que ainda vivem na linha da miséria”, acrescenta Sônia da Silva.

 
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