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Quarta 08 de setembro de 2010
 
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Troque o jipe pelos próprios pés nos lençóis
 
Prazer de sentir descalço as dunas maranhenses não tem preço
 

Fazia sete horas que caminhávamos sobre as dunas frescas do paraíso terrestre que são os Lençóis Maranhenses. Nosso destino era Queimada dos Britos, povoado construído ao redor de um oásis no centro do parque nacional. Meu pé esquerdo doía há pelo menos três horas, e o direito começava a reclamar. Não agüentava mais olhar para meu guia, Maciel "Cara de Jaca" Brito, único ser humano visível nos últimos 20 quilômetros e, portanto, responsável exclusivo por minha crescente exaustão.

Joguei a mochila na areia, no alto de uma duna. "Chega", determinei, "é hora de um mergulho." Maciel consentiu contrariado, sabia que a noite estava perto. Escolhi uma lagoa com água particularmente transparente, fresca e doce. Dez minutos foram suficientes para diluir tudo que era amargo e cansado em mim. Boiando sob céu azul, recortado por grandes arcos de areia e água, fui resgatado pela voz do guia. Respondi a ele tranqüilo pela primeira vez em muito tempo. Estava bem, pronto para andar mais sete horas, se necessário.

"Isso é imenso demais pra visitar correndo, em um pacote básico de excursão, naquele barulho, naquela bagunça, e com um guia sempre apressando para levar pra próxima lagoa", disse Maciel, enquanto eu me recompunha. Ele descreveu exatamente o que eu senti alguns dias antes quando, acompanhado por um grupo de 20 turistas de todas as idades e origens, tive meu primeiro contato com a imensidão dos Lençóis. Foi um passeio básico, de quatro horas, em uma Toyota 4x4 - daqueles feitos pela maioria das pessoas que visitam a região. Seguimos um guia por lagoas mais populares, muito pisadas e repisadas. Foi interessante, mas a experiência não me pareceu suficiente.

Maciel ainda não havia terminado de falar, teve a paciência de me dar um momento para reflexão antes de prosseguir com sua filosofia: "Essa paisagem é única, muda todo dia com o vento e não tem ninguém aqui para testemunhar. Essas lagoas que a gente está vendo agora, são só para os nossos olhos. Quando passar alguém aqui, se é que vai passar, já será outro lugar. Quando descermos dessa duna, ela vai deixar de existir."

 
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